Museu Afro Brasil
Deusa da Fertilidade
Attie (Costa do marfim)
Madeira e pano - Acervo Museu
Afro Brasil
Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega
Parque Ibirapuera – Portão 10, fone 5579 0593
Museu Afro Brasil mostra obras e coleção de arte
africana do português José de Guimarães
Chama-se África e Africanias de José de Guimarães – Espíritos
e Universos Cruzados a exposição que abre dia 5 de junho e fica até 10 de
setembro; um dos grandes nomes das artes plásticas contemporâneas de Portugal
será retratado em 77 trabalhos (pinturas, esculturas, objetos e quadros com
caracteres gráficos de um alfabeto ideográfico criado por ele, inspirado em ícones
da arte negra) e 79 peças de sua coleção africana, de preço incalculável.
Muitos críticos definem José de Guimarães como um dos poucos artistas do
mundo que respeita a arte sem os ditames acadêmicos, que dão menos valor à
chamada ‘arte primitiva’. Após viver dois angustiantes anos de conflitos na
África, sem conseguir entender os conceitos culturais do continente, na década
de 1970, ele estudou a etnografia africana, especialmente a angolana. José de
Guimarães alcançou um conhecimento do conteúdo das manifestações negras
apoiadas em arquétipos culturais e sociológicos diferentes, e até mesmo
opostos, ao seu.
A tentativa de realizar uma síntese, e possível osmose, entre as culturas
africanas e européias, resultou na criação de um alfabeto ideográfico
composto por cerca de 150 caracteres gráficos. 40 desses trabalhos estarão no
Museu Afro Brasil.
Para o artista, a mais relevante transformação na sua pintura – a modificação
de conteúdo maior do que impôs à forma, sem excluí-la – deu-se após o
entendimento da arte africana. “A arte negra fez-me saber como se efetua a
concentração do significar e da carga mítica das formas. É assim que, na
minha pintura, a forma tornou-se símbolo e agente de um grande poder atuante”,
explica ele.
“É eloqüente o talento de José de Guimarães em meio a tantas séries,
cores e materiais, nessa forte ‘arte mixmídia’”, destaca Emanoel Araujo,
curador da mostra e diretor do Museu Afro Brasil.
José
de Guimarães
O que José de Guimarães fez com a arte africana e o que essa arte
fez em suas criações
José Maria Fernandes Marques soube enriquecer a sua arte com influências
externas. Depois de adotar o sobrenome artístico Guimarães em 1961, em
homenagem à sua cidade natal, ele viajou o mundo. Atualmente vive e trabalha
entre Lisboa (seu ateliê fica no famoso bairro de Alfama) e Paris. Em 1981
integrou a representação portuguesa na XVI Bienal de São Paulo.
Escultor de formas sinuosas, às vezes vazadas, contrapõe a rigidez da matéria
lisa e multicolorida, rasgada pela luz fluida de néon, com grafismos, repetindo
esses cortes no interior da escultura.
Entre 1970 e 1974, ele produziu centenas de obras que até hoje influenciam suas
criações. Sua arte, então, ficou miscigenada por duas culturas, numa transição
entre pintura e escultura, que resultou em esculturas bifaces de representação
e significado duplos, trabalhos que também estão presentes na mostra
brasileira.
Os primeiros híbridos culturais com acento na cultura africana
podem ser identificados em suas obras na série de estatuetas angolanas de
madeira, adquiridas por ele em feiras e lojas de arte popular, que receberam
suas interferências cromáticas.
Como colecionador, Guimarães mantém uma atitude decorrente do reconhecimento e
respeito que tem por outras culturas. “A minha obra artística tem seguido o
trilho dos navegadores portugueses – desbravadores e criadores de uma mestiçagem
–, buscando e alimentando-se nas culturas de outras regiões”.
Sua coleção não só de Angola, mas principalmente de toda a região
centro-africana (Nigéria, Camarões, Gabão, Mali, Burkina Faso, Sudão, Congo,
Guiné, Gana, Costa do Marfim, Togo e Benim) continua até hoje. Algumas dessas
peças, com Mambilas, Mendes, Kanacas, Tchokwes, Baulés, Cabindas, Fangues,
Bagas, Punos, Igbos, Markas, Bambaras, Dogons, Kotas, Iorubás, Iakas e Dans,
poderão ser contempladas na exposição.
SERVIÇO
Exposição – África e Africanias de José de Guimarães – Espíritos
e Universos Cruzados
Curador: Emanoel Araujo
Local: Museu Afro Brasil – Espaço Petrobras
Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega
Parque Ibirapuera – Portão 10, fone 5579 0593
Visitação - Gratuita
De 06 de junho a 10 de setembro de 2006
De terça a domingo, das 10 às 18h
Realização:
Consulado Geral de Portugal em São Paulo e Museu Afro Brasil
Patrocínio:
Galp Energia; EDP – Eletricidade de Portugal;
LAZAM/MDS – Gestão de Seguros